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Meu nome é saphira, moro no brasil SC, e sou blogueira a mais de 3 anos, curto sim jrock mais não discrimino nenhum estilo musical.
Aqui eu procuro mostrar um pouquinho de tudo que gosto e respeito.
Espero que gostem.....


quarta-feira, 5 de maio de 2010

freegano


O freeganismo ou gratiganismo é um estilo de vida baseado no reconhecimento de que praticamente todas as trocas monetárias e de trabalho dentro de uma economia capitalista contribuem para incontáveis formas de exploração - abuso de trabalhadores, exploração animal, fome, destruição ecológica, encarceramento em massa, guerra, distribuição desigual de recursos, transformação das mulheres em mercadoria - quase todos os problemas de que os grupos de defesa de direitos sociais, ecológicos e animais tratam.

Este sujeito come lixo

Mas é lixo limpinho. O ativista inglês pega alimentos que os mercados jogam fora, em protesto contra o desperdício
Francine Lima
A primeira vista, pode parecer nojento. O escritor britânico Tristram Stuart aparece no telejornal pegando comida na lixeira dos fundos de um supermercado. São várias porções de saladas, sanduíches e até refeições completas, devidamente embaladas. Diante das câmeras, ele abre uma das embalagens e degusta o alimento. A intenção clara do rapaz é chocar a opinião pública. Stuart é um dos pregadores de uma variante radical do ecologicamente correto. Ele chama a imprensa para registrar o momento em que recolhe e come alimentos descartados por lojas e redes de supermercados. A idéia é mostrar que existiria um enorme desperdício de alimentos bons para o consumo. Bons o bastante para nutrir quem não tem dinheiro para comprá-los na loja. O movimento ganhou o nome de "freeganismo", junção de free(grátis) com vegan (um tipo de vegetarianismo). Para Stuart, é uma forma de protesto contra os excessos do mercado ocidental de alimentos.

Quem é
Escritor e ativista ambiental britânico. Tem 29 anos e mora em Londres com a esposa

O que publicou
Escreveu o livro
The Bloodless Revolution(A Revolução sem Sangue), sobre a história do vegetarianismo na Europa

O que faz
Lidera campanhas pró-redução do consumo de carne e contra o desperdício de alimentos

ÉPOCA - Por que você come lixo diante das câmeras?
Tristram Stuart -
Essa é uma das formas como faço campanha contra o desperdício de comida, a ineficiência da indústria de alimentos, as injustiças sociais e os danos ambientais que estamos perpetuando por meio da produção de alimentos. Eu posso comprar comida, mas a abundância de comida desperdiçada é tamanha que posso levar para casa o que o comércio descarta. Em vez de ir para a lata do lixo, esse excesso deveria ser redistribuído antes da data de validade. Na verdade, não deveriam nem mesmo produzir esse excesso. Então prego a redistribuição de comida em larga escala.

ÉPOCA - E você realmente come comida do lixo?
Stuart -
Com certeza. Mas não é o que você imagina. É uma comida em perfeito estado, dentro de um saco plástico, inteiramente embalada e descartada nos fundos da loja. A única diferença é que não é preciso entrar na fila. Faço isso em noticiários de TV para mostrar que não estou falando apenas de alguns sanduíches. São sacos e sacos de comida boa para o consumo. Parece que o Reino Unido é uma nação muito saudável, mas aqui há 4 milhões de pessoas sofrendo da chamada pobreza alimentar. Essas pessoas gastam grande parte da renda com comida e provavelmente não estão comprando tudo o que realmente gostariam. E não estou falando apenas de sem-teto. Há pensionistas de baixa renda. Essas pessoas vão fuçar em latas de lixo nos fundos das lojas para pegar mais comida. É uma situação deplorável.

ÉPOCA - Qual é o tamanho desse desperdício?
Stuart -
Os números variam. Primeiro, os varejistas dizem que isso é um segredo importante para o comércio. Mas também não querem sujar sua imagem pública. Uma das maiores cadeias de supermercados do Reino Unido estima jogar fora 100.000 toneladas de comida por ano. Quem afirmou foi o jornalista John Vidal, do The Guardian. E existe a estimativa do desperdício em toda a cadeia de produção, comércio e consumo em casa, que é de 25% a 70%. Note que esse dado não vem de um ambientalista radical qualquer, mas de Lord Haskins, um dos principais consultores do Departamento de Agricultura britânico e ex-presidente da Northern Foods, uma das maiores indústrias de processamento de alimentos do Reino Unido. Se você levar em conta os níveis da fazenda, processamento, varejo e finalmente consumo doméstico, verá que em todos os estágios da cadeia há desperdício.



CAMPANHA Seqüência de imagens do canal de notícias SkyNews mostra como Stuart recolhe sanduíches e pratos que foram descartados por uma rede de supermercados

ÉPOCA - As empresas, como supermercados, descartam alimentos com prazo de validade vencido por razões de segurança. Se algum consumidor passar mal, vai processar a loja. Essas empresas têm escolha?
Stuart -
Elas afirmam que agora estão tentando participar dos esquemas de redistribuição dos alimentos cujo prazo de validade vai expirar. Independentemente disso, as empresas reconhecem uma minúscula fração do que jogam fora. Estão todos usando suas relações públicas. Argumentam pela segurança alimentar. Mas está claro que muito freqüentemente a razão por que o comércio não quer doar comida para pessoas pobres é que aí elas não entrarão pela porta da frente para comprar seus produtos.

ÉPOCA - Você morou na Índia. Como essa experiência influenciou seu pensamento?
Stuart -
Na Índia, o mercado não é como no Ocidente. Lá a gente aprende como é mais fácil viver em uma dieta vegetariana e quão deliciosos os pratos vegetarianos podem ser. E os indianos não desperdiçam tanto. Pois onde há bastante comida há milhares de pessoas famintas em torno. Existe um bom sistema de caridade na Índia de doação de comida aos pobres. Lá existem muitos vegetarianos. Mas também há muitos que comem carne. Eu prefiro não comer carne por uma razão ambiental. Em termos genéricos, é menos eficiente produzir carne que produzir vegetais.

ÉPOCA - Você prefere não comer carne ou não come mesmo?
Stuart -
Eu como certos tipos de carne que sei que foram produzidos de forma sustentável. Por exemplo, atiro em animais selvagens. No Reino Unido, existem algumas áreas - e minha casa está em uma delas - com populações numerosas de cervos e ausência de predadores naturais. Então é ecologicamente benéfico matar alguns deles.

ÉPOCA - Então você caça?
Stuart -
Eu não usaria esse verbo, porque caçar é um esporte. Eu não mato por esporte. Não acho que seja absolutamente errado matar animais. Ao se preparar o campo para o plantio, alguns animais como insetos e ratos são mortos. Ninguém está livre de matar animais. Mesmo os vegetarianos.

''Essencialmente, estamos financiando a destruição da Floresta Amazônica ao comer o máximo de carne que conseguimos''

ÉPOCA - De onde saiu o vegetarianismo que hoje cresce no Ocidente?
Stuart -
Eu pesquisei isso porque queria entender melhor a relação entre homem e natureza. Parte da explicação vem da Bíblia. No início, quando Adão e Eva viviam no Jardim do Éden, havia uma relação harmônica entre humanos e animais. Nos séculos XVI e XVII, quando os europeus descobriram o vegetarianismo indiano, constatou-se que ainda era possível viver assim. Os europeus viram que os indianos pareciam respeitar a natureza em seu valor intrínseco. Era uma forma diferente de ver o mundo natural. Isso gerou um debate na sociedade ocidental.

ÉPOCA - Qual debate?
Stuart -
A literatura sobre as viagens à Índia do século XVI era lida por todo mundo. No mínimo surgiu a certeza de que o homem podia viver sem comer carne, pois havia evidências empíricas disso. Até então, acreditava-se que quem não comesse carne ficaria fraco ou passaria fome até morrer. A partir do momento em que se admite que comer carne é desnecessário, e que é uma crueldade matar um animal quando na verdade você não precisa fazer isso, surge um posicionamento moral diferente.

ÉPOCA - Se esse posicionamento moral, de respeito à natureza, surgiu há quatro séculos no Ocidente, por que isso só ganhou força nos últimos anos?
Stuart -
Uma pequena minoria argumentava que a natureza tinha um valor intrínseco e que não deveríamos destruí-la. Só agora mais pessoas estão realmente dizendo que, se não restringirmos nossas atividades, a natureza será destruída, e nós com ela. No momento, o maior motivo para deixar de consumir carne é a destruição da Floresta Amazônica. O desmatamento está servindo ao plantio de soja e outros grãos. Sendo que 80% da soja brasileira é destinada à alimentação animal. Essencialmente, estamos financiando a destruição da Floresta Amazônica ao comer o máximo de carne que conseguimos. Se nos preocupamos com a preservação da floresta e com o aquecimento global, devemos limitar o consumo de carne.

ÉPOCA - Já esteve na Amazônia?
Stuart -
Não. Eu adoraria. Mas o problema é voar. Andar de avião também é ruim para o meio ambiente.

Bibliografia:

http://alimentacaoviva.blogspot.com/2008/01/freegano-este-sujeito-come-lixo.html







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